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Em sua edição #58, a revista Focus Brasil da Fundação Perseu Abramo destaca a ameaça ao processo eleitoral

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Focus Brasil #58: Eleições na mira dos militares. Leia editorial assinado pelo presidente da FPA, Aloizio Mercadante – Foto: Reprodução / Site do PT/FPA

Em nome do presidente da República, os generais do Planalto resolvem mover suas baterias contra as urnas eletrônicas e tentam atingir a credibilidade da Justiça Eleitoral, destaca a nova edição semanal da revista Focus Brasil, da Fundação Perseu Abramo, entre outros textos, matérias e artigos sobre a situação atual do país.

Leia editorial do presidente da FPA, Aloizio Mercadante:

O segundo turno já começou

“A campanha está totalmente polarizada entre a barbárie de Bolsonaro e o resgate da democracia e de um projeto de Nação com Lula. A terceira via segue sem liderança, sem unidade, sem competitividade e principalmente sem programa. Com a terceira via se esfarelando, muitos eleitores já estão antecipando o segundo turno e líderes importantes do campo democrático começam a se posicionar em apoio a Lula.

O movimento de Jair Bolsonaro de ameaça de golpe e de ataque ao STF e ao TSE tende a consolidar sua base militante, mas amplia o campo democrático e o potencial de alianças políticas para Lula. O ex-presidente começou a percorrer o Brasil, depois de lançar-se candidato ao lado de Geraldo Alckmin, com um discurso que mobiliza as atenções. E, o que a gente vê no início dessa caminhada são uma energia, uma força e uma mobilização, que há muito tempo não existiam nas campanhas eleitorais. Lula avança evocando o momento das Diretas Já.

Foi assim nas concentrações populares na UERJ, na Unicamp, em Belo Horizonte, em Contagem, em Juiz de Fora e em outros lugares por onde Lula passou. É uma onda de esperança intensa, com muitos jovens. Há no ar um clima de renovação e de otimismo, que irá crescer e mobilizar ainda mais ao longo do ano.

Outro fato impressionante é o movimento deflagrado pela cultura em apoio a nossa candidatura. Artistas, poetas, músicos, cantores, cineastas e atores de toda ordem têm se manifestado, cantado e se posicionado nas ruas e nas redes.

Da mesma forma, o encontro com 30 reitores das universidades federais deixou claro que as instituições do ensino superior estão contando as horas para a volta do Lula. Hoje, elas têm um orçamento que em termos reais é metade do que deixei quando era ministro da Educação em 2015.

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Por isso, a educação em geral, mas especialmente o ensino superior, vem se manifestando com força nos eventos de apoio à Lula. Não é diferente com profissionais do SUS e ambientalistas, que seguem lutando para tentar impedir os desmatamentos da Amazônia, que segue em alta de 300% superior ao passado.
Ao mesmo tempo, em todas as agendas houve algum tipo de provocação bolsonarista. Como não conseguem mobilizar espontaneamente, fazem afrontas de pequeno porte e colocam provocadores nas cidades onde Lula mobiliza e avança. Por isso, é muito importante o movimento que está se iniciando, coordenado pelo ex-governador Flávio Dino (PSB-MA) de paz na campanha.

O TSE precisa estabelecer um protocolo, a exemplo do que acontece no futebol, em que quando as torcidas agridem e prejudicam, o time é punido, com perda de mando de jogo e multas. A mesma coisa deve acontecer na política. Os candidatos devem ser responsabilizados pelo que a militância faz, como tentar interromper o trajeto do candidato adversário ou agredir manifestantes que estão se expressando livremente.

Não basta só a Polícia Federal, que em breve acompanhará os candidatos, e as seguranças próprias que cada candidatura tem. Para coibir o avanço da violência, é preciso que a Justiça Eleitoral estabeleça os protocolos do convívio democrático entre as candidaturas e seus apoiadores. Trata-se de um movimento suprapartidário, que precisa ser reforçado por todas as forças democráticas, para que a campanha permita debater projetos e não se transforme em um campo de batalha.

A derrota está cada vez mais evidente para Bolsonaro, que tenta levar a campanha eleitoral para o esgoto, estimula confrontos diretos e tenta de forma patética deslegitimar o resultado soberano do voto popular.

O bolsonarismo está toda hora criando pautas para desviar o foco dos verdadeiros problemas do país. Um exemplo disso é a Petrobrás. Bolsonaro já mudou o presidente da Petrobrás e de seu conselho e, agora, mudou o ministro, colocando um personagem folclórico que tem histórico de declarações absurdas, para criar uma política fake e não discutir a questão central que é a política de Preços de Paridade de Importação (PPI) e o esquartejamento da empresa.

O governo entreguista privatizou as estruturas da Petrobrás. O Brasil agora importa derivados e exporta óleo cru, não gera valor agregado, nem empregos qualificados e, principalmente, a descoberta das extraordinárias reservas do pré-sal não se traduzem em aumento da competividade, eficiência e bem-estar do povo. Bolsonaro xinga a Petrobrás, blefa que irá privatizá-la e troca o comando da empresa, mas a única coisa que não faz é tentar construir uma política consistente para tentar superar o trágico cenário dos lucros extraordinários dos acionistas e a espoliação crescente do povo.

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Da mesma forma, dezenas de militares da alta hierarquia foram humilhados por Bolsonaro, um tenente expulso do Exército com quatro anos de carreira. Não menos grave é o seu populismo fiscal, diluído por uma inflação crescente de 12% ao ano. Mais de 70% da população está endividada e a taxa de juros subiu para 12,75% ao ano, o que vai agravar a inadimplência que já atinge 25% das famílias brasileiras.

Há uma situação dramática no custo de vida, produtos da cesta básica que já subiram mais de 100% em um ano. O prato feito, que é o cotidiano da alimentação dos trabalhadores de baixa renda, subiu 23%. Por isso, Bolsonaro tenta o tempo inteiro desviar o foco dos principais problemas do país.

O Brasil não está discutindo como superar essa inflação, como mudar a política de preços das Petrobrás. Ficamos presos em um debate sobre os absurdos declarados por ministros e membros do alto escalão do governo, ou sobre a fala do presidente que volta a dizer que negros são pesados em arrobas. As agressões crescentes aos valores básicos de uma sociedade civilizada refletem o desespero e a tentativa de desviar o foco do debate para os verdadeiros problemas do povo.

Bolsonaro esperneia, mas caminha para uma fragorosa derrota. Em todas as eleições, quem liderava cinco meses antes das eleições ganhou o pleito. Lula lidera em todas as pesquisas durante todo o processo eleitoral, com uma posição bem consolidada e pequenas alterações dentro da margem de erro.

Temos que ter humildade, trabalhar muito, sem sapato alto e lutar pela democracia, defesa das instituições e eleições limpas. Bolsonaro caminha para uma derrota que é inexorável e será gigantesca. O segundo turno está se antecipando e será Lula, já!

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Aloizio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo (FPA).

Aloizio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo – Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

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Ciro Gomes amarga mais uma traição, e como dói: O palanque dele no Rio de Janeiro era de vidro e se quebrou

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Washington Quaquá, Ana de Holanda, irmã do cantor Chico Buarque, que apoia a candidatura de Marcelo Freixo ao governo. Reprodução / Twitter

Ricardo Noblat / Metrópoles – Era uma vez o palanque que Ciro Gomes (PDT) tinha no Rio de Janeiro para chamar de seu. Ele o perdeu, ontem à noite, quando Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói e candidato do PDT ao governo, firmou com uma ala de petistas uma aliança informal de apoio à candidatura de Lula a presidente.

Mais de 3 mil pessoas lotaram o auditório da ABI no centro do Rio para celebrar a aliança. Compareceram, por exemplo, Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT e a ex-ministra da Cultura do governo Dilma, Ana de Holanda, irmã do cantor Chico Buarque, que apoia a candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo.

Durante o evento foi lançado manifesto de apoio à chapa Lula presidente e Rodrigo governador. Ciro não foi consultado a respeito. Quaquá disse que o mais importante é isolar Bolsonaro no Rio:

“Ciro teve 19% das eleições passadas no Rio e hoje tem 8%. Para derrotar Bolsonaro precisamos conversar com o eleitor de Ciro. A frente democrática tem que ser feita no primeiro turno”.

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O apoio a Rodrigo atrai nomes do PSB que não acreditam nas chances de Freixo derrotar o governador Cláudio de Castro (PL), candidato à reeleição. Rodrigo quer ter Lula no seu palanque, mesmo que ele siga apoiando Freixo. E não descarta abrir o palanque para Ciro, se ele insistir em manter sua candidatura.

Lula é esperado no Rio nesta quinta-feira para um ato público de apoio a Freixo. Dirá que seu candidato ao Senado é o deputado estadual André Siciliano (PT), que está mais próximo de Castro do que de Freixo. Castro é apoiado por Bolsonaro, mas não faz alarde disso para não perder votos. Uma zorra.

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