Geral

Volta da fome no Brasil: “É inaceitável ver os atuais níveis de insegurança alimentar”, diz FAO, das Nações Unidas

Publicados

Geral

Representante da agência Rafael Zavala vê com preocupação o retrocesso no país, que funciona como “motor de alimentação” do mundo – Site do PT

Parceira do Brasil em políticas públicas de combate à insegurança alimentar dos governos petistas, a Agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) vê com preocupação o retrocesso ocorrido nos últimos anos. Representante do órgão em terras nacionais desde 2018, o mexicano Rafael Zavala considera “inadmissível” um país que funciona como “cesta de pão” ou “motor de alimentação” para o mundo abrigar mais da metade de sua população em situação de insegurança alimentar.

“É inaceitável ver os atuais níveis de insegurança alimentar no país, sobretudo em centros urbanos”, critica Zavala, para quem “o desafio é da fome, mas também da melhor nutrição”. “Com pandemia e inflação, piorou muito a quantidade e a qualidade das dietas. Há muito consumo de ultraprocessados, que favorece a obesidade infantil”, explica o zootecnista em entrevista ao jornal Valor Econômico.

O representante da FAO prevê que o preço dos alimentos continuará alto em todo o mundo. Também destaca que, diferentemente da América Latina, “o problema no Brasil é mais a dependência dos fertilizantes que o preço dos alimentos”. “A soma da alta dependência dos fertilizantes com os altos preços do petróleo significa um cenário de uma estabilidade de altos preços”, afirmou, juntando as peças do golpe continuado que desde 2015 acumula ataques ao bem-estar social no Brasil.

Zavala chamou a atenção ainda para o avanço do garimpo e de atividades de mineração ilegais no Brasil, desmatando e contaminando águas enquanto o desgoverno Bolsonaro desmantela o sistema de proteção ambiental do país. “Temos desmatamento para pecuária e agricultura, mas o mais expressivo são as atividades ilegais e extrativas”, apontou, pedindo mais rigor contra o desmatamento. “O Brasil não precisa ampliar sua superfície plantada, mas melhorar sua produção com a mesma superfície”, argumentou.

Leia Também:  Aumento dos combustíveis e guerra na Ucrânia aumentam riscos de segurança alimentar no Brasil

“Fica muito claro que precisamos gerar políticas públicas para assegurar a defesa e a conservação da Amazônia. O Brasil é a cesta do pão do mundo, mas ela fica no coração da biodiversidade mundial. E a Amazônia é compartilhada entre nove estados no Brasil, mas também por nove países”, declarou Zavala. Ele defende a criação de um cinturão de fronteira dos países amazônicos com a integração de lavoura, pecuária e floresta.

Combate à miséria e à fome foi prioridade dos governos do PT

“O próximo governo, não importa a filiação política, precisa dar mais atenção para as políticas sociais de segurança alimentar”, pregou ainda Zavala. “Por outro lado, fica muito claro que o Brasil é dos países com melhores lições, com políticas bem-sucedidas de combate à fome, especialmente nos últimos 20 anos. Mas o número de pobres aumentou e isso significa maior risco de fome e de má alimentação.”

Diplomático, Zavala descreveu o retrocesso, mas não mencionou que, após o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, há exatos seis anos (12 de maio de 2016), a extrema pobreza já regrediu aos patamares de 2006.

A pobreza voltou com o desemprego, o desmonte da CLT e da política de valorização do salário mínimo, com o fim de recursos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e para cisternas, com o desmantelamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário, com cortes em programas estratégicos como o PRONAF e ações de apoio à agricultura familiar, e com a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), no primeiro dia do mandato de Jair Bolsonaro.

Leia Também:  Embraer adere sanções contra a Rússia: Empresa deixou de prestar serviços de manutenção e suporte técnico

No último ano de Bolsonaro no Palácio do Planalto, mais da metade da população (116 milhões) vive com algum grau de insegurança alimentar e ao menos 19 milhões passam fome, aponta a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). Retrocesso impensável em 2014, quando o país finalmente saíra do Mapa da Fome das Nações Unidas.

Historicamente marcado pela miséria e pela fome, apesar da pujança agrícola, o Brasil só começou a virar o jogo em 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva lançou a estratégia Fome Zero para evidenciar a prioridade do combate à fome e mobilizar a sociedade.

Graças à ampliação do acesso a trabalho e renda, aliada ao fortalecimento da Agricultura Familiar com programas como o PRONAF, Garantia Safra, PAA e o PNAE (Alimentação Escolar), a fome no Brasil caiu 82% entre 2003 e 2014, quando a FAO anunciou a conquista brasileira.

Quase 20 anos após iniciar a grande revolução alimentar brasileira, o presidente mais popular da história conclama o povo a se unir para novamente desconstruir o Brasil da fome, do desemprego e da injustiça e reconstruir o país sonhado pela maioria.

“Não é possível as pessoas continuarem imaginando que os pobres só gostam de coisa de segunda categoria. Não, a gente gosta de coisa boa, a gente quer comer e beber bem, se vestir bem, poder frequentar restaurante. A gente não gosta de carne de segunda, a gente gosta é de carne de primeira. Esse país é possível ser construído e não é por ninguém que venha de Marte. Somos nós, vocês e eu”, garantiu Lula nesta segunda-feira (9), em Belo Horizonte, no lançamento do movimento Todos Juntos pelo Brasil.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Geral

Discussões: Ministério de Minas e Energia intermedia acordo para suspensão de reajuste da conta de luz

Publicados

em

O texto, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), que tramita na Casa, suspende a decisão da Aneel que autorizou o reajuste da conta de luz – Foto: ABR

Agência Brasil – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur lira (PP-AL), disse nesta quarta-feira (18) que espera “em um prazo bastante curto” um encaminhamento por parte do Ministério de Minas e Energia de uma proposta viável para redução da tarifa de energia. A declaração foi dada após reunião com o ministro da pasta, Adolfo Sachsida, representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), líderes de partidos e representantes da sociedade civil.

As discussões se concentram na viabilidade do PDL 94/22 (Projeto de Decreto Legislativo de Sustação de Atos Normativos do Poder Executivo). O texto, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), que tramita na Casa, suspende a decisão da Aneel que autorizou o reajuste da conta de luz dos consumidores atendidos pela Enel Distribuição, no Ceará.

“Tivemos uma reunião bastante produtiva, onde o ministro Sachsida saiu daqui com a incumbência de se reunir com as distribuidoras, com a Aneel e com os parlamentares para discutir uma saída equilibrada para que possa, a partir desse momento, ter um encaminhamento de solução para diminuição desse repasse que, apesar de contratual, pode ser minimizado no momento ainda de grande dificuldade com a retirada da bandeira e com incremento desse aumento por das distribuidoras”, ressaltou Lira.

Leia Também:  Bolo "quitute" é furtado por motorista de transporte por aplicativo no Rio de Janeiro, diz empresária

O presidente da Câmara acrescentou que espera que a solução “venha da sensibilidade da Aneel e das distribuidoras, que fazem das concessões, neste momento do Brasil, um tema de muita discussão”.

A expectativa é de que até o final do dia de hoje o ministro de Minas e Energia traga ao Legislativo novidades sobre as discussões.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

TUDO SOBRE POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

GERAL

MAIS LIDAS DA SEMANA