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Brasil vive sob pré-sanções da União Europeia e prejuízo pode atingir 33% das exportações

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Comissão Europeia apresentou proposta para criação de regulamento cujo objetivo seria “impedir o desmatamento importado”, que pode atingir em cheio os produtos brasileiros – Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Sputnik – Projeto de lei que será debatido na Europa ainda este ano acende o alerta da diplomacia brasileira. Grupos dentro do governo dizem que o país vive uma situação “pré-sanções”

No final de 2021, a Comissão Europeia apresentou uma proposta para a criação de um regulamento cujo objetivo seria “impedir o desmatamento importado”.

Se adotada, a regra estabelecerá que somente terão acesso ao mercado da União Europeia (UE) produtos “que tenham sido produzidos em terrenos no qual não houve desmatamento depois de 31 de dezembro de 2020”.

Negociadores em Brasília passaram a se debruçar sobre o texto, que deve seguir para votação e aprovação ainda neste ano, escreve o colunista Jamil Chade.

Um dos aspectos que chama atenção é que o projeto não leva em consideração se a produção ocorreu em área desmatada legalmente, segundo as leis do país de origem.

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De acordo com um levantamento interno do governo brasileiro, os principais alvos são o óleo de palma e a soja.

Entre outros produtos sob exame estarão o cacau, café e madeira, bovinos vivos, carnes, couros, carvão vegetal, móveis, construções pré-fabricadas de madeira, papel e cartão.

No total, os bens listados correspondem a mais de US$ 10 bilhões R$ (47 bilhões) das exportações do Brasil à UE por ano. Ou seja, um terço de tudo que foi exportado na média de 2019 a 2021.

Para que o sistema funcione, a UE planeja criar um mecanismo de “diligência devida”, sob responsabilidade das empresas privadas.

Isso inclui coleta de informações das condições de produção e avaliação de riscos, como a proximidade de florestas e dificuldade de rastreabilidade.

Os operadores privados serão fiscalizados pelos países da UE, em particular quanto aos produtos oriundos de regiões de alto risco.

As medidas, na prática, constituem um protecionismo disfarçado, justamente sobre produtos que por décadas foram alvos de barreiras comerciais por parte da Europa.

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Desigualdade: enquanto bancos aumentam lucros, mais pobres perdem renda. Balanços de 2022 avançam em relação a 2021

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Balanços de 2022 avançam em relação a 2021, mesmo com salto de endividamento e inadimplência. “Enquanto a população sofre, os bancos lucram em várias pontas”, lamenta a presidenta do SPbancários

Após os quatro grandes bancos brasileiros com capital aberto na bolsa obterem em 2021 o melhor resultado nominal (sem considerar a inflação) já registrado, a temporada dos balanços do primeiro trimestre de 2022 começa com perspectiva de lucros ainda maiores neste ano. Bradesco e Santander apresentaram seus desempenhos nesta semana, enquanto Itaú e Banco do Brasil os divulgam na próxima.

O Bradesco (BBDC4) registrou lucro líquido contábil de R$ 7,009 bilhões no primeiro trimestre. A alta é de 13,9% em comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 6,153 bilhões). No quarto trimestre de 2021, o banco registrou lucro líquido de R$ 3,170 bilhões, fechando o ano com acúmulo R$ 21,9 bilhões – 32% a mais que em 2020.

O lucro líquido recorrente (que desconsidera efeitos extraordinários) foi de R$ 6,821 bilhões, 3,1% a mais que nos primeiros três meses de 2021. Neste primeiro trimestre, o lucro do Bradesco é o maior para o período em valores nominais no setor de bancos e o nono em valores ajustados pela inflação, conforme levantamento de Einar Rivero com a plataforma das provedoras de informações TC/Economatica.

O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, já que a expectativa era de lucro de R$ 6,737 bilhões, conforme pesquisa da agência Bloomberg. A expansão das margens do banco, em especial com clientes, e das receitas com serviços levou à alta.

Superlucros às custas do desemprego e da fome

Ao mesmo em que os bancos obtém superlucros durante a pandemia e a crise econômica, os brasileiros mais pobres, os trabalhadores, as famílias sofrem para sobreviver. A maior inflação em 28 anos atinge em cheio a vida dos mais pobres, com aumentos sucessivos dos preços dos alimentos, transporte e aluguéis.

Sem política industrial, por outro lado, o país é empurrado para a recessão, com desemprego crescente. As famílias brasileiras perderam renda e são vitimas da extorsão de juros de cartões de créditos, usados para comer. O salário mínimo foi congelado, sem aumento real.

Inadimplência e endividamento movem os resultados

Satisfeito com os lucros, o Bradesco já se preocupa com a inadimplência. O índice de inadimplência da clientela em 90 dias cresceu 0,7 ponto percentual, a 3,2%, e o de 60 dias cresceu 0,7 ponto percentual, a 4%. O movimento acompanha a tendência generalizada no Brasil de Jair Bolsonaro e seu ministro-banqueiro Paulo Guedes.

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Dados mais recentes da Serasa Experian apontam que o número de pessoas com o nome negativado subiu 1,2 milhão em dois meses e chegou a 65,2 milhões em fevereiro. Em março, o percentual de famílias com dívidas a vencer chegou a 77,5%, maior proporção na série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da CNC (Confederação Nacional do Comércio). O índice estava 10,3 pontos abaixo há um ano.

“A qualidade dos ativos dos bancos brasileiros provavelmente continuará a se deteriorar no primeiro trimestre, enquanto acreditamos que seu índice de inadimplência pode retornar ao nível pré-pandemia até o final de 2022”, afirma o banco de investimentos UBS BB em relatório enviado a clientes.

O agravamento do estado pré-falimentar das famílias, no entanto, não impediu que o Santander apresentasse lucro líquido gerencial de R$ 4,005 bilhões no primeiro trimestre de 2022, com alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2021 e de 3,2% em relação ao quarto trimestre de 2021. Ano passado, o banco lucrou R$ 14,98 bilhões.

“Nada mal para um país em recessão, que piorou a maioria de seus principais indicadores econômicos, com fechamento de empresas, aceleração do desemprego e alta no endividamento das famílias”, critica a presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva. “Tudo isso em meio à alta da inflação, com disparada dos preços dos combustíveis e da cesta básica.”

“É importante destacar que a deterioração do cenário econômico e social brasileiro com alta taxa inflacionária e elevação na taxa de juros ampliou o endividamento das famílias nos últimos meses. Mas para o Santander, os indicadores de inadimplência seguem em patamares inferiores ao período pré-pandemia”, prossegue Ivone.

O retorno sobre o patrimônio líquido do Santander ficou em 20,7%, patamar em que se encontra desde o quarto trimestre de 2018. O crédito à pessoa física alcançou R$ 212.347 milhões em março, aumento de 19,0% no ano. Os produtos que apresentaram as maiores contribuições positivas foram cartão de crédito (+30,5%), crédito pessoal/outros (+30,4%), crédito imobiliário (+15,2%) e consignado (+9,2%).

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“Ou seja, cresceram linhas de crédito que potencializam o endividamento das famílias, mas que trazem lucro ao banco. Como exemplo podemos citar o juro médio do rotativo do cartão de crédito, que é de 346,3%”, observa a dirigente.

Para tranquilizar os acionistas, o banco ampliou as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) de maneira significativa. A alta foi de 24,9% em relação ao trimestre anterior e de 45,9% em comparação com o mesmo trimestre de 2021.

“Como se trata de uma provisão, não significa prejuízo. Parece muito mais um alerta para pressionar o Governo Federal a tomar medidas que favoreçam mais ainda os bancos”, aponta Ivone.

Entre essas medidas, a dirigente cita linhas de crédito e financiamento para empresas; ampliação da margem de crédito consignado aos aposentados e pensionistas do INSS; autorização para realização de empréstimos e financiamentos via crédito consignado para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (MP 1.106).

“E há ainda outra ação que beneficia os bancos, já mencionada e intencionada por Paulo Guedes, que é a ampliação de saques do FGTS para o pagamento de dívidas”, cita a presidenta do SPbancários. “Ou seja, enquanto a população sofre, os bancos lucram em várias pontas. Pode parecer choradeira, mas na verdade é puro lobby”, conclui.

Da Redação, com informações de Imprensa SPbancários

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