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Artistas mulheres representam cerca de 20% dos acervos do Masp e Pinacoteca: ‘difícil apagar exclusão do passado’, diz especialista

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Visitantes do museu observam obras em exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo, na região da Luz, Centro da capital – Foto: Cíntia Acayaba

O acervo da Pinacoteca e do Museu de Arte de São Paulo (Masp), dois dos maiores museus do estado e do país, é composto por cerca de 20% de artistas mulheres. A pequena representatividade, que também ocorre em museus no exterior, é objeto de pesquisas e questionamentos por ONGs e especialistas. Do G1 São Paulo

Na Pinacoteca, o museu mais antigo da cidade, fundado em 1905 no Centro da capital paulista, 24% dos artistas do acervo são mulheres:

1.451 homens
458 mulheres

Com 11 mil peças e ênfase na produção brasileira do século 19 até a contemporaneidade, o museu também faz exposições renomadas de artistas nacionais e internacionais.

Entre os artistas mais importantes do acervo estão os brasileiros Anita Malfatti, Lygia Clark, Tarsila do Amaral, Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Candido Portinari, Oscar Pereira da Silva.

Obra da artista plástica Lenora de Barros em exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo, na Luz, região central da capital – Foto: Cíntia Acayaba

Já no Masp, na Avenida Paulista, 21,5% das obras expostas foram feitas por mulheres:

391 artistas mulheres
1.420 artistas homens

Também com cerca de 11 mil obras, incluindo pinturas, esculturas, objetos, fotografias, vídeos e vestuário de diversos períodos, abrangendo a produção europeia, africana, asiática e das Américas, o Museu de Arte de São Paulo é privado, sem fins lucrativos, e foi fundado em 1947 pelo empresário e mecenas Assis Chateaubriand (1892-1968), tornando-se o primeiro museu moderno no país.

Movimentação no Museu de Arte de São Paulo (MASP) na região da Avenida Paulista, em São Paulo (SP) – Foto: Roberto Sungi / Futura Press / Estadão Conteúdo

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A professora Ana Paula Simioni, docente do Instituto de Estudos Brasileiros (USP), especialista em pintoras e escultoras brasileiras, autora de pesquisas sobre a representatividade feminina, explica que a proporção de mulheres anteriormente era ainda menor, cerca de 3%, e que, com o passar dos anos, ambas as instituições passaram a adquirir obras de mulheres para aumentar a representatividade.

Simioni considera a atual proporção desigual porque, entre outros fatores, não é equiparado ao atual número de artistas mulheres, já que os cursos de artes plásticas, por exemplo, são majoritariamente femininos. Apesar disso, ela afirma que não esse percentual não é algo necessariamente ruim, e que nossa realidade não é muito distante de museus europeus e norte-americanos.

De algum modo, para Simioni, essa proporção também conta um pouco do nosso passado, que excluía as mulheres de todos os espaços que não os domésticos.

“O desejável seria no mínimo 35% do acervo composto por mulheres, porque é difícil a gente apagar a exclusão do passado. Como é que você vai fazer com as obras das mulheres dos séculos 19, 18 e 17, que nunca chegaram aos museus e se perderam?”, disse Simioni.

“Então, tem um gap histórico, que uma instituição como o Masp, por exemplo, que tem uma abrangência mais universal. Ele tem dificuldade de dar conta. Nas contemporâneas, é mais fácil encontrar obras de artistas mulheres”, disse.

De acordo com Simioni, no século 19 são raríssimas as mulheres nos museus, o que cresce nas décadas de 20 e 30 do século 20, desaparece, e volta nos anos 50. Depois, a Pinacoteca, principalmente, desenvolveu uma política para aquisição de obras.

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“Há um movimento, sim, de aquisição de obras de mulheres, e um movimento também em torno agora de artistas negros e indígenas. Eu participo do conselho artístico da Pinacoteca, então, eu sei que essas discussões são travadas mesmo no âmbito da direção e são políticas conscientes. Agora, eu não sei se tem impacto no Brasil”, diz.

Quadros em exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo, na região da Luz, Centro da capital – Foto: Cíntia Acayaba

A falta de representatividade feminina no acervo de grandes museus não está restrita ao Brasil. A discussão sobre a presença de artistas mulheres também ocorre nos Estados Unidos, onde uma pesquisa mostrou que, nas coleções permanentes de 18 museus de arte proeminentes, como o Metropolitan Museum de Nova York, os artistas representados são 87% homens.

De acordo com a ONG “National Museum of Women in the Arts”, que advoga pela arte produzida por mulheres, apenas 11% de todas as aquisições e 14% das exposições em 26 museus dos EUA na última década foram de artistas mulheres.

Em termos de gestão, o mesmo problema se repete: três dos museus mais visitados do mundo, o British Museum, o Louvre e o Metropolitan nunca tiveram diretoras mulheres.

Na Europa, os dados também mostram disparidades, mas há museus que estão engajados em diminuir a diferença. No Tate Modern, um dos principais museus de arte moderna do Reino Unido, 27% dos artistas vivos retratados no acervo são mulheres, segundo dados de 2010. Em 2016, havia uma promessa de que esse número subiria para 36%. Dentro deste movimento, em 2021, as exposições temporárias realizadas no museu foram, em sua maioria, de artistas mulheres.

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Museu Afro Brasil, no Ibirapuera, promove feira de artes gráficas com obras de 20 artistas da periferia do país

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O artista plástico Guinho Nascimento, que participa da feira no MuseuAfroBrasil, em São Paulo – Foto: Lidia Martiniano/Divulgação

O Museu Afro Brasil promove neste sábado (21) a primeira feira de artes gráficas MAB – MARGENS, que reunirá 20 proeminentes artistas e coletivos da periferia do país.

A feira está atrelada às atividades da 20ª Semana Nacional de Museus de 2022, que traz o tema: O Poder dos Museus, que reflete sobre a importância de reconhecer o papel dos museus na sociedade brasileira.

Entre os artistas que estarão na exposição estão nomes como Binário Armada, Dani Rampe, Guinho Nascimento, Helo Rodrigues, May Solimar e Roni Evangelista.

Segundo o portal G1, são destaques, o Cordel Urbano e a artista Luna Bastos, que vêm respectivamente da Bahia e do Piauí, e Natali Mamani, artista boliviana.

Entre os coletivos, os destaques são XiloCeasa e Editora Marginal.

A exposição também terá escritores e pesquisadores, que estarão representados pela Aziza Editora.

Neste ano, a feira tem como tema “O poder das Margens”, com o objetivo de alcançar artistas e suas respectivas produções gráficas que ficam muitas vezes à margem dos museus brasileiros, oferecendo também espaço de venda e troca de seus trabalhos.

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O acesso neste sábado (21) será livre, sem necessidade de realizar inscrição, das 12h às 17h.

Na compra de qualquer obra dos artistas expositores, o público receberá também um voucher com direito a dois ingressos para entrada no MAB e concorrerá no final da feira a uma obra do artista e curador Emanoel Araujo.

Semana Nacional de Museus

A 20º Semana Nacional de Museus de 2022, abrange mais de 300 cidades nas cinco regiões do país com atividades acontecendo entre os dias 16 e 22 de maio.

Na capital paulista são quase 50 Institutos e Instituições na programação oficial, disponibilizada pelo Sistema Brasileiro de Museus (SBM).

“As expectativas para essa primeira edição da feira são grandes. São trabalhos diversos e originais que valorizam artistas e coletivos proeminentes das artes gráficas. Queremos estabelecer aproximações e um diálogo potente entre os artistas, o museu e o público. Esperamos que as pessoas compareçam neste sábado para apreciar o evento”, comenta Joyce Farias, pesquisadora do Museu Afro Brasil.

Serviço

O Museu Afro Brasil está localizado no Parque Ibirapuera. Funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h.

Em dias comuns o valor do ingresso para acessar as diversas exposições e atividades do MAB é de R$ 15 inteira e R$ 7,50 para meia entrada, porém as quartas-feiras a visitação é gratuita para todos.

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Informações como exposições, atividades, notícias e contato podem ser acessados através do site do museu: Museu Afro Brasil

O artista plástico Roni Evangelista, que estará na exposição do MuseuAfroBrasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo –  Foto: Iwintolá / Divulgação

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