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O fenômeno: Chuva de meteoros pode encher o céu com até 100 mil “estrelas cadentes”, apontam pesquisas

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Terra passará pelos destroços do cometa 73P / Schmassmann – Wachmann, que sofreu uma grande explosão em setembro de 1995 – Pixabay

A chuva de meteoros pode encher o céu com até 100 mil “estrelas cadentes”, em condições ideais de observação, apontam pesquisas. O fenômeno, conhecido como Tau Herculids, será mais visível do Hemisfério Norte, mas também poderá ser contemplado do Brasil, ainda que com menor intensidade.

Segundo o astrônomo Cássio Barbosa, do Centro Universitário FEI, a Tau Herculids ocorre todos os anos, e é considerada uma chuva fraca, daquelas que não merecem muito destaque em relação às demais. Neste ano, porém, astrônomos estimam que tudo será diferente. Um estudo publicado na última quinta-feira (26) aponta que a Terra pode passar em cheio pelos destroços do cometa 73P/Schmassmann-Wachmann 3, que sofreu uma grande explosão em setembro de 1995. O astro é o que dá origem a Tau Herculids.

“O 73P sofreu uma grande explosão em setembro de 1995 e passou por uma série de eventos de desintegração desde então”, escreveram os autores. “Investigações independentes [de diversos astrônomos] mostram que o material ejetado de 1995 passará pela Terra por apenas 0,0004 au [unidade de medida astronômica dada pela distância média da Terra até o Sol] em 31 de maio de 2022, o que pode trazer atividade meteorológica elevada ou até mesmo uma tempestade.”

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Para aproveitar o melhor do fenômeno, a orientação, de acordo com Barbosa, é deslocar-se para um local afastado das luzes da cidade, como um sítio ou uma chácara, uma vez que toda e qualquer luminosidade ofusca o brilho dos meteoros; reclinar-se no chão ou em uma cadeira de praia, para obter o maior campo de visão possível; e olhar para o céu em todas as direções. Aos olhos do observador, os meteoros parecerão se cruzar na Constelação de Hércules — daí o nome Tau Herculids —, mas os rastros luminosos poderão ser vistos de qualquer lugar do céu.

“O melhor horário para observar o fenômeno será a partir das 2h da manhã, quando a Constelação de Hércules estiver mais alta no céu e visível para nós, do Brasil”, afirma o professor da FEI.

“Não é necessário o uso de nenhum equipamento específico, como um telescópio ou uma luneta. Na realidade, só é possível observar uma chuva de meteoros a olho nu, pois os meteoros são dispersos entre si e passam muito rapidamente”, completa.

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Barbosa ressalta que como essa será a primeira passagem da Terra por essa trilha de detritos, é difícil prever a intensidade da chuva da madrugada desta terça-feira, bem como se o fenômeno, de fato, irá ocorrer. Tudo pode acontecer — inclusive, nada. Mas, se o evento ocorrer da forma como esperam alguns astrônomos, será algo realmente deslumbrante, e diferente de tudo já visto antes. Por Último Segundo

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70 anos depois, mais de 100 fósseis são encontrados em sítio paleontológico perdido no Rio Grande do Sul

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Sítio fica em Dom Pedrito, fronteira com o Uruguai. Mais de 100 fósseis já foram coletados no local 

Univates / Assessoria – Paleontólogos de três universidades do Rio Grande do Sul reencontraram um sítio fossilífero “perdido” por mais de 70 anos nas imediações da cidade de Dom Pedrito, coração da região da Campanha e cidade que faz fronteira com o Uruguai. Há cerca de 260 milhões de anos, antes mesmo dos primeiros dinossauros, estavam presentes as condições ambientais ideais para a preservação dos organismos que habitavam essa área no passado, os quais, por meio do registro fóssil, ficaram resguardados em finas camadas de rocha e, agora, aos poucos, vão sendo revelados. 

A localidade onde os fósseis foram resgatados é conhecida como “Cerro Chato”, tendo sido descoberta e descrita pela primeira vez em 1951 por pesquisadores que realizavam mapeamento geológico no Pampa gaúcho. Naquela oportunidade, fósseis, especialmente de plantas, foram coletados e descritos, evidenciando desde então a importância do sítio fossilífero para a paleontologia nacional. Os recursos tecnológicos disponíveis na época, no entanto, não permitiram o referenciamento geográfico exato do sítio fossilífero, que teve sua localização perdida por sete décadas.

Finalmente, em 2019, o sítio paleontológico foi novamente localizado, em um esforço conjunto que contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), da Universidade do Vale do Taquari – Univates e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). “Esse sítio fossilífero representa um verdadeiro tesouro para a paleontologia mundial, em especial para os estudos sobre a evolução florística de um singular período geológico da história da Terra, o Permiano”, explica a doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) da Univates Joseline Manfroi, paleobotânica que compõe a equipe de pesquisadores responsáveis pelas descobertas.

“Durante décadas a localização geográfica desse afloramento foi uma incógnita. Foi buscado como uma verdadeira ‘caça ao tesouro’ e, felizmente, depois de tanto tempo, teremos a oportunidade de continuar escrevendo essa história, por meio do registro fóssil”, detalha Joseline.  

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“Este novo local vai atrair muitos olhares para o RS”

O sítio fossilífero Cerro Chato é hoje objeto da pesquisa da mestranda Joseane Salau Ferraz na Universidade Federal do Pampa. Os estudos são desenvolvidos utilizando parte da estrutura do Laboratório de Paleobotânica e Evolução de Biomas do Museu de Ciências da Univates. O grupo de pesquisadores envolvidos tem um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) para continuação das escavações, com projeção de três anos para as atividades de campo ‒ o que seguramente revelará muitas surpresas aos pesquisadores. “A área a ser explorada é enorme. Eu estimo que não exploramos nem 30% de todo o espaço disponível”, detalha Joseane. 

Os cientistas já coletaram mais de 100 espécimes de fósseis de plantas, estando entre eles grupos pertencentes aos antepassados das atuais coníferas e samambaias e também fósseis de animais, como peixes e moluscos. Os fósseis coletados estão depositados na coleção científica do Laboratório de Paleobiologia da Unipampa, em São Gabriel.

“Nas expedições anteriores apenas a superfície desse afloramento foi prospectada, um calcário bem grosso e difícil de explorar”, explica Joseane. “Naquela ocasião, os materiais foram encontrados porque a superfície já estava relativamente erodida. Os pesquisadores, no entanto, não conseguiram explorar o que estava mais no fundo. Se hoje é difícil trabalhar em um local assim, mesmo com tecnologia, imagine os desafios que isso representava em 1951. Nós fomos lá, no ano passado, com uma retroescavadeira. Parece até assustador pensar nisso, já que os fósseis são muito delicados. De alguma forma tínhamos certeza de que ia dar certo, e funcionou”, comemora.

“Os fósseis que estamos estudando têm importância mundial, pois são testemunhos diretos das mudanças ambientais que ocorreram durante o período Permiano. Esses estudos nos ajudarão a resgatar informações sobre a distribuição dessas plantas ao redor do mundo, além de colher evidências sobre como era o clima da época. Este novo local vai atrair muitos olhares para o RS”, diz Joseane.

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O final do período Permiano, de quando datam os fósseis encontrados, é marcado pela mais severa extinção em massa conhecida ao longo do tempo geológico, quando mais de 90% da vida na Terra foi dizimada devido a intensas perturbações climáticas.

Os proprietários da fazenda onde o sítio fossilífero está localizado e a Prefeitura Municipal de Dom Pedrito foram peças fundamentais durante o trabalho de resgate de escavações, oferecendo todo o suporte necessário para as coletas. “A escavação de fósseis tão frágeis quanto os que encontramos no Cerro é um trabalho delicado. Com a ajuda da prefeitura e todo o apoio oferecido pelos proprietários, foi possível realizar uma escavação controlada e eficiente no sítio. Só assim conseguimos resgatar os fósseis mais delicados e completos”, conta o paleontólogo Felipe Pinheiro, da Unipampa, que também coordena as escavações.

Para o proprietário da área, Celestino Goulart, “o desenvolvimento das pesquisas é de grande importância, pois ajuda a entender as mudanças ocorridas no planeta e traz um significativo incentivo ao turismo na região da Campanha gaúcha”.

A equipe de paleontólogos envolvidos na pesquisa comenta que “as pesquisas desenvolvidas no afloramento Cerro Chato não só evidenciam a riqueza paleontológica preservada nos estratos do Rio Grande do Sul, mas também trazem a oportunidade de ampliar cada vez mais o acesso da comunidade ao conhecimento científico e fomentar o geoturismo regional”.

Um artigo científico relatando a redescoberta do sítio paleontológico foi publicado na revista Paleontologia em Destaque, da Sociedade Brasileira de Paleontologia, e pode ser acessado neste link. Assinam a descoberta Joseane Salau Ferraz, Joseline Manfroi, Karine Pohlmann Bulsing, Margot Guerra-Sommer, André Jasper e Felipe Pinheiro.  

“Optamos por publicar o artigo em português justamente para deixar o texto disponível para a população local. Eles estão muito empolgados com a paleontologia, o que é bacana de ver”, complementa Joseane. Existem outras publicações sendo desenvolvidas pela equipe, com a perspectiva de continuar os trabalhos no local. No momento a equipe trabalha com a descrição de uma samambaia, cujo registro é o primeiro para a Formação Rio do Rastro aqui do RS.

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