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Grupo de cientistas: Astrônomos revelam a primeira imagem de buraco negro no centro da Via Láctea

Por Agência O Globo

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Imagem de Sagitário A, o buraco negro gigante localizado no centro da Via Láctea – EHT Collaboration

Agência O Globo – Um grupo de cientistas divulgou hoje a primeira imagem feita do buraco negro gigante que fica no centro da Via Láctea, a galáxia em que vivemos. A fotografia foi produzida pelo projeto EHT (Event Horizon Telescope), que combina observações de uma rede de radiotelescópios espalhados por todo o mundo apontadas para o mesmo local.

A imagem, uma mancha preta que aparece no meio da concentração de gás hiperaquecido no núcleo galáctico, foi divulgada hoje em entrevista na sede do ESO (Observatório Europeu do Sul), líder do consórcio, na Alemanha. Esta é a segunda imagem de um buraco negro feita pelo projeto, a primeira, divulgada em 2019, era a do objeto que fica no centro de outra galáxia, Messier 87, relativamente próxima em termos cósmicos.

Há muito tempo astrônomos consideram que o objeto que fica no centro da Via Láctea, batizado de Sagitário A, era um buraco negro. Nunca tinha sido possível observá-lo diretamente, mas os cientistas sabiam que não havia outra hipótese para explicar a movimentação intensa de matéria que ocorre na região.

Um buraco negro é essencialmente um objeto que consiste de uma concentração infinita de matéria em um ponto de dimensão zero. A força gravitacional no seu entorno próximo é tão grande, que a partir de um certo limite, nem mesmo a luz consegue escapar. A fronteira de entrada nessa zona “sem saída” é batizada de horizonte de eventos.

Na fotografia feita pelo EHT, o que aparece não é o buraco negro em si, mas justamente o horizonte de eventos. Ele é visível porque está envolto em uma nuvem gigantesca de matéria aquecida que emite luz.

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Sagitário A é gigante, com uma massa equivalente a 4 milhões de vezes a do Sol, mas por estar distante, foi difícil separar sua imagem em meio ao caos luminoso do centro galáctico.

O que o projeto EHT fez foi emparelhar vários observatórios do planeta que captam radiação na frequência de rádio, com ondas muito longas, uma forma de energia que pode atravessar a massa densa de gás em torno do buraco negro. Combinando a potência de 11 observatórios gigantes, operando-os como se fossem um só, foi possível gerar a imagem, quase como se estivesse sendo usado um radiotelescópio do tamanho da Terra.

Entre os centros de pesquisa envolvidos na rede estão o ALMA (Atacama Large Milimiter Array), do ESO, localizado no Chile, o radiotelescóio James Maxwell, no Havaí, e o Telescópio do Polo Sul, na Antártida. Os cientistas descrevem a nova descoberta em um estudo na revista Astrophysical Journal Letters.

Perseguindo o próprio rabo

Apesar de o buraco negro do centro da Via Láctea estar mais perto de nós do que o de Messier 87, os astrônomos tiveram mais dificuldade em enxergá-lo.

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“O gás nas proximidades dos buracos negros se move na mesma velocidade — quase tão rápido quanto a luz — em torno de Sagitário A e M87. Mas enquanto o gás leva dias a semanas para orbitar M87, que é bem maior, em Sagitário A ele completa uma órbita em poucos minutos. Isso significa que o brilho e o padrão do gás mudava rapidamente à medida que o EHT o observava”, explicou em comunicado à imprensa o astrônomo Chi-kwan Chan, da Universidade do Arizona, um dos líderes do projeto.

“Era meio como tentar tirar uma foto clara de um cachorrinho correndo atrás do próprio rabo”, exemplificou o cientista.

Para dar conta do trabalho, os pesquisadores tiveram que desenvolver novas ferramentas para calibrar os sensores dos radiotelescópios para a oscilação de luminosidade. A imagem capturada do buraco negro foi feita em 17 de abril 2017, mas só agora cientistas conseguiram processá-la para obter a precisão necessária.

“Essas observações sem precedentes melhoraram muito nossa compreensão sobre o que acontece no centro de nossa galáxia e oferecem novas ideias sobre como esses buracos negros gigantes interagem com seus arredores”, afirma Geoffrey Bower, do Instituto de Astronomia e Astrofísica de Taiwan, uma das instituições que participaram do projeto.

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70 anos depois, mais de 100 fósseis são encontrados em sítio paleontológico perdido no Rio Grande do Sul

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Sítio fica em Dom Pedrito, fronteira com o Uruguai. Mais de 100 fósseis já foram coletados no local 

Univates / Assessoria – Paleontólogos de três universidades do Rio Grande do Sul reencontraram um sítio fossilífero “perdido” por mais de 70 anos nas imediações da cidade de Dom Pedrito, coração da região da Campanha e cidade que faz fronteira com o Uruguai. Há cerca de 260 milhões de anos, antes mesmo dos primeiros dinossauros, estavam presentes as condições ambientais ideais para a preservação dos organismos que habitavam essa área no passado, os quais, por meio do registro fóssil, ficaram resguardados em finas camadas de rocha e, agora, aos poucos, vão sendo revelados. 

A localidade onde os fósseis foram resgatados é conhecida como “Cerro Chato”, tendo sido descoberta e descrita pela primeira vez em 1951 por pesquisadores que realizavam mapeamento geológico no Pampa gaúcho. Naquela oportunidade, fósseis, especialmente de plantas, foram coletados e descritos, evidenciando desde então a importância do sítio fossilífero para a paleontologia nacional. Os recursos tecnológicos disponíveis na época, no entanto, não permitiram o referenciamento geográfico exato do sítio fossilífero, que teve sua localização perdida por sete décadas.

Finalmente, em 2019, o sítio paleontológico foi novamente localizado, em um esforço conjunto que contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), da Universidade do Vale do Taquari – Univates e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). “Esse sítio fossilífero representa um verdadeiro tesouro para a paleontologia mundial, em especial para os estudos sobre a evolução florística de um singular período geológico da história da Terra, o Permiano”, explica a doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) da Univates Joseline Manfroi, paleobotânica que compõe a equipe de pesquisadores responsáveis pelas descobertas.

“Durante décadas a localização geográfica desse afloramento foi uma incógnita. Foi buscado como uma verdadeira ‘caça ao tesouro’ e, felizmente, depois de tanto tempo, teremos a oportunidade de continuar escrevendo essa história, por meio do registro fóssil”, detalha Joseline.  

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“Este novo local vai atrair muitos olhares para o RS”

O sítio fossilífero Cerro Chato é hoje objeto da pesquisa da mestranda Joseane Salau Ferraz na Universidade Federal do Pampa. Os estudos são desenvolvidos utilizando parte da estrutura do Laboratório de Paleobotânica e Evolução de Biomas do Museu de Ciências da Univates. O grupo de pesquisadores envolvidos tem um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) para continuação das escavações, com projeção de três anos para as atividades de campo ‒ o que seguramente revelará muitas surpresas aos pesquisadores. “A área a ser explorada é enorme. Eu estimo que não exploramos nem 30% de todo o espaço disponível”, detalha Joseane. 

Os cientistas já coletaram mais de 100 espécimes de fósseis de plantas, estando entre eles grupos pertencentes aos antepassados das atuais coníferas e samambaias e também fósseis de animais, como peixes e moluscos. Os fósseis coletados estão depositados na coleção científica do Laboratório de Paleobiologia da Unipampa, em São Gabriel.

“Nas expedições anteriores apenas a superfície desse afloramento foi prospectada, um calcário bem grosso e difícil de explorar”, explica Joseane. “Naquela ocasião, os materiais foram encontrados porque a superfície já estava relativamente erodida. Os pesquisadores, no entanto, não conseguiram explorar o que estava mais no fundo. Se hoje é difícil trabalhar em um local assim, mesmo com tecnologia, imagine os desafios que isso representava em 1951. Nós fomos lá, no ano passado, com uma retroescavadeira. Parece até assustador pensar nisso, já que os fósseis são muito delicados. De alguma forma tínhamos certeza de que ia dar certo, e funcionou”, comemora.

“Os fósseis que estamos estudando têm importância mundial, pois são testemunhos diretos das mudanças ambientais que ocorreram durante o período Permiano. Esses estudos nos ajudarão a resgatar informações sobre a distribuição dessas plantas ao redor do mundo, além de colher evidências sobre como era o clima da época. Este novo local vai atrair muitos olhares para o RS”, diz Joseane.

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O final do período Permiano, de quando datam os fósseis encontrados, é marcado pela mais severa extinção em massa conhecida ao longo do tempo geológico, quando mais de 90% da vida na Terra foi dizimada devido a intensas perturbações climáticas.

Os proprietários da fazenda onde o sítio fossilífero está localizado e a Prefeitura Municipal de Dom Pedrito foram peças fundamentais durante o trabalho de resgate de escavações, oferecendo todo o suporte necessário para as coletas. “A escavação de fósseis tão frágeis quanto os que encontramos no Cerro é um trabalho delicado. Com a ajuda da prefeitura e todo o apoio oferecido pelos proprietários, foi possível realizar uma escavação controlada e eficiente no sítio. Só assim conseguimos resgatar os fósseis mais delicados e completos”, conta o paleontólogo Felipe Pinheiro, da Unipampa, que também coordena as escavações.

Para o proprietário da área, Celestino Goulart, “o desenvolvimento das pesquisas é de grande importância, pois ajuda a entender as mudanças ocorridas no planeta e traz um significativo incentivo ao turismo na região da Campanha gaúcha”.

A equipe de paleontólogos envolvidos na pesquisa comenta que “as pesquisas desenvolvidas no afloramento Cerro Chato não só evidenciam a riqueza paleontológica preservada nos estratos do Rio Grande do Sul, mas também trazem a oportunidade de ampliar cada vez mais o acesso da comunidade ao conhecimento científico e fomentar o geoturismo regional”.

Um artigo científico relatando a redescoberta do sítio paleontológico foi publicado na revista Paleontologia em Destaque, da Sociedade Brasileira de Paleontologia, e pode ser acessado neste link. Assinam a descoberta Joseane Salau Ferraz, Joseline Manfroi, Karine Pohlmann Bulsing, Margot Guerra-Sommer, André Jasper e Felipe Pinheiro.  

“Optamos por publicar o artigo em português justamente para deixar o texto disponível para a população local. Eles estão muito empolgados com a paleontologia, o que é bacana de ver”, complementa Joseane. Existem outras publicações sendo desenvolvidas pela equipe, com a perspectiva de continuar os trabalhos no local. No momento a equipe trabalha com a descrição de uma samambaia, cujo registro é o primeiro para a Formação Rio do Rastro aqui do RS.

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